terça-feira, 26 de novembro de 2013

Fica.

Fica.
Não precisa falar, não precisa me entreter, só fica.
Vamos fazer do silêncio nossa melhor companhia.
Junto com os abraços.
Os beijos.
Os toques.
Os olhares.
Fica.
Não precisa me fazer soneto, nem um único verso sequer, só fica.
Você já me conquistou, então não me deixe só.
Sem seu carinho.
Seu cheiro.
Seu sorriso.
Seu corpo. Você. Inteiro.
Fica.
Não precisa se incomodar, sente aonde quiser, só fica.
Qualquer lugar é bom se você está juntinho de mim.
Bem colado, sim.
Bem agarrado.
Bem apertado.
Bem amarrado. Só comigo, mais ninguém.
Fica.
Não precisa ficar acordado, podemos até dormir, só fica.
Fica porque eu não aguento a ideia de ser deixada para trás.
Sozinha.
Porque posso estar em meio a uma multidão, mas sem você...
Fico sem rumo.
Sem graça.
Sem cor.
Sem vida.
Fica...
Só fica.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Sua.

Eu fui sua. De um modo que jamais imaginei possível pertencer a alguém. Deixei-lhe compartilhar de tudo o que havia de mais secreto em mim. Confiei-lhe os meus segredos, pensamentos mais ocultos. Minhas inseguranças. Meus medos. Você sabia todas as cores que minha alma podia possuir, e quando. De cór. Provavelmente, ainda sabe. Sabia de meus olhares. De quando eu me fazia de uma rua sem saída ou de uma rodovia. De meus traços que, ao mais singelo expressar, poderiam significar raiva ou alegria. Eu nunca fui muito estável, muitos menos soube me demonstrar. Você? Era o oposto. Sempre foi fácil dizer quando você estava feliz. Na verdade, mal me mostrava você o seu lado triste. Essa é a palavra: fácil. Fácil de descobrir, de entender, de lidar. Nunca precisou de consolos ou palavras afetuosas. Você era forte. Talvez seja aí o nosso desencontro. Nem todos têm paciência, nem todos querem ouvir o que a fragilidade que mora dentro de alguns de nós tem a dizer. Você não quis. Não quero te cobrar nada. Algo que é bonito no início nem sempre (na verdade, quase nunca) termina bem. A culpa foi minha. Eu sempre me abro demais. Tímidez por extremo se tornou em seu oposto quando estive sob seu efeito. Não nego, eu fui, e acho que de alguma forma ainda sou sua. O problema? Você nunca foi meu.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Sobre memórias.


Esses dias eu estava em um aula de Filosofia, meio distraída. Sempre me dei bem com essa matéria, mas nunca consegui prestar muita atenção na aula. Acho que meu desinteresse pela aula se junta com o desânimo do meu professor para nos passar a matéria e eu acabo viajando no meus pensamentos. E foi exatamente isso que aconteceu. Deixei minha cabeça caída para baixo, de modo que o que eu via era meu cabelo longo e castanho, jogado sobre meu corpo, em contraste com meu longo casaco de algodão azul-escuro. Até aí, toda essa situação é completamente normal e sem significância, mas foi quando eu me esqueci de onde estava e percorri minhas lembranças que minha memória despertou. Há alguns anos, morei em outro estado: Belo Horizonte. Eu tinha mudado para lá no meio do ano, quando todos já tinham seus amigos e panelinhas formadas. No primeiro dia de aula em minha nova escola, até que me saí bem, consegui fazer uma amiga nova. Mas eu constantemente me sentia sozinha. Nos primeiros bimestres eu não fui muito bem nas provas, não conseguia prestar muita atenção. A cidade era maravilhosa, só que eu não conseguia me desligar do Rio de Janeiro, dos meus amigos, da minha família, do meu antigo colégio. Tudo era recente demais, e a mudança aconteceu muito subitamente. (Eu mudei porque meu pai foi transferido da empresa onde ele trabalha, do Rio para BH, por período indefinido.) Então, constantemente, durante a maioria das aulas, eu costumava abaixar minha cabeça, olhar para meu grande cabelo castanho jogado por cima de um casaco ridiculamente grande, que minha mãe tinha comprado para mim na lojinha da escola. Ele também era azul-escuro. Tudo voltou à minha mente, em questão de segundos. Minha estadia lá (que acabou durando apenas 6 meses), a solidão que eu sentia, as amizades feitas (e com as quais perdi contato), o cinema com salas pequenas em qual eu ia toda semana, a independência que eu sentia ao andar por aqueles morros e seus ventos gelados, o moço da cantina da minha escola que ria do meu sotaque, mas que sempre me dava os guardanapos e canudos em minha mão, ao invés de deixar que eu mesma os retirasse do balcão... O menino com qual eu dei meu primeiro beijo, a dificuldade que tive para acordar às 6hrs da manhã com um frio de 9ºC do lado de fora da casa, a nova manicure com qual fazia as unhas, e que sempre as deixava cheia de bolinhas, o dia em que chorei quando fui rejeitada em duas escolas para as quais fiz teste para entrar, o pânico que senti quando entrei sozinha na nova escola e nenhuma das meninas às quais fui apresentada falou comigo, o mercado que vendia o melhor suco de açaí com banana que eu já tomei em minha vida, uma das coisas de que senti saudades ao deixar a cidade. Levei  um susto, e fiquei impressionada com a minha memória. As coisas que tentei esquecer, as que tentei preservar em minhas lembranças, as que eu achava que nem eram importantes, todas muito vivas dentro de mim, até hoje. Tudo porque eu abaixei a cabeça e vi os mesmos cabelos castanhos e um casaco azul-escuro, também ridiculamente grande, e descobri que não somos nós que controlamos nossas recordações, e sim o contrário.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Você.


Você foi a série que eu amei, mas que ao invés de ir para a segunda temporada, foi cancelada. Você foi a camisa de banda que eu usava em todos os lugares que ia, mas que encolheu com a máquina e ficou desgasta com o tempo. Você foi o livro que eu sempre carregava na bolsa, mas que sem querer, deixei no trem. Você foi a caneta colorida que eu adorava usar, até deixava minha letra bonita, mas que, eventualmente, ficou sem tinta. Você foi o meu travesseiro mais aconchegante, até o dia em que meu cachorro o mordeu e voou pena para todo lado. Você foi aquele pôster velho na parede do meu quarto que acabou rasgando. Você foi o achocolatado que eu parei de beber porque me disseram que já era hora de tomar café. Você foi a manta azul que me aquecia desde os 6 anos, mas que agora é pequena demais para me cobrir. Por favor entenda que minha intenção não é ser rude, meu bem, somente verdadeira.Você foi como tudo o que agora não me tem mais utilidade ou não está mais comigo, mas ainda assim, é parte de mim. Você pode até ter sido aquele abajur azul cheio de estrelas que meu pai comprou numa feirinha há alguns anos atrás, e que hoje não funciona. Mas eu nunca esquecerei as noites de insônia que o abajur passou comigo, enquanto eu contava as estrelinhas dele. Eram 27.

O bentido sentimento.

Sinto que falar de amor não é mais necessário. Tantas pessoas por aí já o fizeram. Cada uma de um jeito diferente, mas sempre voltando ao mesmos lugares: Como sofrem por não serem correspondidas, como são felizes por tê-lo, ou miseráveis por nem ao menos encontrá-lo. Então, me sinto estranha falando dele. O amor é complexo demais e minha sucintidade não deixa que eu vá muito longe. É muita felicidade, mas ao mesmo tempo muitas discórdias. É muita beleza, mas também muitas intrigas. Tão complicado, se formos tentar explicá-lo... Mas na prática, o amor é totalmente o oposto. Amar é a coisa mais simples que se há. Somente colocando esse sentimento que há em nós (e que só pode ser despertado por um outro alguém) em prática podemos compreender como ele pode nos fazer feliz tão sutil e facilmente. Por isso, aqui paro eu de tentar explicar para você o que é esse bendito sentimento que inspira tantas canções, filmes, pessoas... Justamente porque para o amor, não há explicação. Há o sentir, e isso, eu só posso fazer por mim mesma.