
Eu fui sua. De um modo que jamais imaginei possível pertencer a alguém. Deixei-lhe compartilhar de tudo o que havia de mais secreto em mim. Confiei-lhe os meus segredos, pensamentos mais ocultos. Minhas inseguranças. Meus medos. Você sabia todas as cores que minha alma podia possuir, e quando. De cór. Provavelmente, ainda sabe. Sabia de meus olhares. De quando eu me fazia de uma rua sem saída ou de uma rodovia. De meus traços que, ao mais singelo expressar, poderiam significar raiva ou alegria. Eu nunca fui muito estável, muitos menos soube me demonstrar. Você? Era o oposto. Sempre foi fácil dizer quando você estava feliz. Na verdade, mal me mostrava você o seu lado triste. Essa é a palavra: fácil. Fácil de descobrir, de entender, de lidar. Nunca precisou de consolos ou palavras afetuosas. Você era forte. Talvez seja aí o nosso desencontro. Nem todos têm paciência, nem todos querem ouvir o que a fragilidade que mora dentro de alguns de nós tem a dizer. Você não quis. Não quero te cobrar nada. Algo que é bonito no início nem sempre (na verdade, quase nunca) termina bem. A culpa foi minha. Eu sempre me abro demais. Tímidez por extremo se tornou em seu oposto quando estive sob seu efeito. Não nego, eu fui, e acho que de alguma forma ainda sou sua. O problema? Você nunca foi meu.
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